Sabemos que, tal como o mundo, também o retalho não é a representação da nossa vontade. Mas, se através de um qualquer meio, nos surgir uma foto ou imagem de um produto que nos surpreende, munido de uma breve descrição e um bom preço, quem consegue resistir à tentação de comprar, se tal significar uma perfeita experiência de compra?

A atribuição efetiva do poder aos consumidores, a digitalização do mundo real (que o mesmo é dizer a digitalização da nossa mente), a progressiva robotização dos atos domésticos, com a total e inevitável interconexão de tudo com todas as coisas, serão cada vez mais tendências que se irão reforçar e consolidar, entrando sem pedir licença, no quotidiano das nossas vidas.

A relação entre o mundo digital e o mundo analógico continuará a coexistir, sendo certo que a desmaterialização e o mundo digital vão continuar a ter crescimentos exponenciais. Porém, isso também vai ser um reflexo do perfil do mundo que temos, ou seja, coexistem duas gerações que estão a viver, simultaneamente, no mesmo planeta, mas em mundos diferentes. Temos uma população mais envelhecida e ainda analógica, e temos os “filhos do milénio” a viver no mundo digital.

Mas, novos ou velhos, vivemos todos, num tempo pautado por profundas transformações, no funcionamento das economias e, em que a Distribuição assume um papel primordial na competitividade das mesmas, não sendo já possível olhar para o comércio com base em conceções  historicamente ultrapassadas e redutoras.

Ao longo dos próximos anos, teremos a tendência incontornável da sustentabilidade ou do green retail, isto é, a conceção que a sustentabilidade não é só uma atitude de responsabilidade social das empresas, mas que terá de ser subsumida como um efetivo negócio verde, percebendo ainda que a sustentabilidade já não é uma opção mas um caminho inevitável e de fortes impactos. A sustentabilidade não é apenas uma ferramenta para gerir o negócio mas uma parte integrante do modelo de negócio. É, pois, imperativo acreditar que a sustentabilidade evoluiu da política de responsabilidade social, para uma dimensão de negócio, onde as empresas terão de ser ambientalmente mais sustentáveis se quiserem melhorar os seus resultados.

Também é verdade que, nos modelos de previsão macroeconómicos, a incerteza é muito maior do que se pensa, pois vivemos num mundo em que a única certeza é a mudança.

Contudo, já hoje temos algumas certezas. O formato retalhista que mais está a crescer em Portugal e no espaço europeu é, e continuará a ser, o formato de proximidade ou conveniência, pois é aquele que atualmente melhor acompanha as necessidades do consumidor. O comércio eletrónico não é uma moda mas um imperativo que nenhum retalhista poderá ignorar ou descurar, não só pela alavancagem que a pandemia lhe deu, mas porque não há alternativa para atingir a omnicanalidade, que não seja estar presente em todos os canais e pontos de contacto criados pela magia das tecnologias.

 

José António Rousseau