Entrevista a João Catalão

«Se não olharmos para o marketing digital com olhos de ver, estamos a perder oportunidades
imensas.»

Com um percurso profissional invejável, transversal a diversas áreas, João Catalão é acima de
tudo um comunicador nato e uma fonte de inspiração. Pelas suas próprias palavras, assume-se
como provocador, coaching lover, optimista e militante da vida. Este profissional, com uma
formação académica muito rica e diversificada, é também líder, docente, consultor internacional,
empresário e autor de diversos best sellers. João Catalão é especialista em coaching, criatividade,
resiliência, liderança e motivação, para a vida e para os negócios, e é ainda presidente de várias
associações de renome nacional e internacional. Questionado sobre a pertinência de projectos
como a Associação de Marketing Digital, não tem dúvidas em afirmar «juntos vamos mais longe,
metam isto na cabeça».

Por Luisa do Pranto (Julho de 2015)

Com uma formação académica e uma experiência profissional tão vastas e abrangentes,
como é que se dá o seu encontro com o Marketing Digital?

Foi amor à primeira vista. As questões todas ligadas ao marketing, chamemos-lhe, tradicional foi
sempre para mim uma coisa que me fascinou muito. Tive a sorte de poder trabalhar por estes
cinco continentes em áreas muito competitivas (produtos de consumo e etc.) e tenho uma
irreverência natural por tudo aquilo que é novo, tudo aquilo que mexe me desafia. O marketing, eu
adoro aquela palavra logo, marketing, porque se olharmos para ela e tudo o que tem o sufixo ‘ing’
significa movimento, mercado em movimento. E o meu próprio lema de vida é fazer e desfazer
para fazer melhor. Então eu, com esse desacomodamento e essa irreverência, o marketing digital
tocou-me logo desde o início. Eu posso-lhe dizer que quando começaram as coisas, desde os
simples Facebook, LinkedIn, Twitter, os próprios sites das pessoas, delas próprias; às vezes os
meus amigos diziam-me: -Tens o site com meio milhão de visitas, pessoal? E eu, assim: -Claro. E
vai lá ver o que as pessoas adoram ver – as fotografias privadas. E ponho lá os livros, as
empresas. Resumindo: o marketing digital foi para mim qualquer coisa como: isto fazia cá muita
falta. Primeiro para nos conectarmos com o mundo, a era do marketing digital vêm-nos trazer uma
coisa muito gira, é que não há fronteiras, isto cada um de nós está no mundo inteiro, com um
simples site estamos no mundo inteiro. Agora imagine se nós – que temos um país tão bonito mas
pequenino, com dez milhões de habitantes – não olharmos para o marketing digital com olhos de
ver, estamos a perder oportunidades imensas. Portanto, eu sou fã, completamente.

É impossível entrar no seu site (www.catalao.com.pt) e não abrir logo um sorriso, como é
que surgiu a ideia e quais é que são as reacções que tem tido?

Olhe, tem sido muito giro. Como sabe nós, como povo, somos um povo maravilhoso – eu costumo
dizer que não há povo nenhum no mundo que quando não sabe o nome de uma rua pede
desculpa e quando sabe fica feliz – portanto nós adoramos servir. Somos um povo que bate
recordes de dádivas, solidariedade social em plena crise mas odiamos, somos um povo que…
odiamos ver sucesso. Estamos muito… se alguém quer ter amigos arranja um problema. E
quando eu lancei o meu próprio site, que queria que fosse um site onde dissessem assim: -Este é
o João Catalão. É isto, a cores e ao vivo. Toda a gente me dizia assim: -Isto vai perder um bocado credibilidade; vai parecer um site um bocadinho brincadeira; vai parecer o site de um miúdo; vai parecer um site não sei quê. Olhe, eu estou contentíssimo. Porque se aplica aquela regra – se
calhar porque eu, ainda por cima, sou de descendência também ainda espanhola, e eles têm
aquela imagem de que – vale mais que falem de mim mal do que não falem. Não é? A pior coisa
que se pode fazer a alguém é ignorar. E, digo uma coisa, estou contentíssimo porque realmente,
quando olho para aquele site, eu vejo assim, este sou eu. E o grande trabalho foi encontrar gente
que tivesse paciência para me aturar, para eu poder pôr aqueles conteúdos de forma dinâmica e,
ao mesmo tempo, falar de coisas sérias, partilhar as minhas irreverências, partilhar os meus livros,
partilhar textos, partilhar uma série de coisas. Portanto, tem sido uma experiência muito gira, tem
sido fantástico.

Da sua experiência, do contacto diário com pessoas e organizações, como é que acha que
está a “motivação” para o Marketing Digital?

Está em força. Ainda por cima porque contradiz todas aquelas regras que, normalmente, no
marketing mais tradicional demoravam muito a ser alteradas, isto é, como foi qualquer coisa que
começou de baixo – isto é muito giro, porque foram as startups, e foram os jovens, etc., que
agarraram estas questões do marketing digital como ferramenta, como forma de estarem
conectados com o mundo, como forma de se fazer negócio, como forma de se mostrarem – isto de
repente tem sido um movimento que, eu diria, muito consistente, muito enérgico, com algumas
resistências ainda, curiosamente, nas grandes empresas, que muitas estão lá… eu podia citar
aqui algumas empresas que quando vai visitar o seu próprio website ou a sua página de
Facebook – se houver – ou de Twitter, vê que nada tem a ver uma coisa com a outra. Porquê? São
feitas por entidades diferentes, não há uma integração, não há homogeneidade. Mas estas
questões do marketing digital, como eu estava a dizer, estão a correr muito bem porque estão a
ser… estão a ser muitos jovens, e juventude, para mim, liga com irreverência, liga com o saber
estar, liga com o saber fazer e desfazer, liga com uma coisa muito importante: liga com saber ouvir
o mercado. O marketing digital permite fazer uma coisa muito gira: medir resultados de imediato e
fazer alterações rápidas, e fazer evoluir as coisas. É frenético. Portanto eu estou a ver isto com
muito interesse, com muita ousadia, e mais: com muita pinta, o que os portugueses estão a fazer.
Que isso é uma oportunidade muito gira para nós, está-nos a desacomodar, está-nos a provocar,
e eu estou muito feliz com o que estou a ver por aí.

Qual é a sua opinião sobre projectos como o nosso (Associação de Marketing Digital)?

A minha opinião… (isto é engraçado), a minha opinião divide-se entre o coração e a cabeça. A
cabeça diz assim: João, na tua vida sempre disseste e achaste que o associativismo não está no
ADN dos portugueses. O clubismo, sim. 94% dos portugueses têm três clubes: Benfica, Sporting e
Porto. Talvez. Porquê? É o que menos nos chateia, porque são os que mais ganham, eu até…
não estou de verde por isso, mas o meu agora até melhorou as estatísticas, ganhava de dezoito
em dezoito anos, agora já ganhou sete anos depois, mas a verdade é que temos tendência para:
o que é clubismo funciona, o que é associativismo entra em lutas de bastidores, intrigas,
paradigmas muito antigos de que o segredo é que é a alma do negócio, blá, blá, blá. Eu como
ando por esse país fora, a fazer muitas intervenções para associações, etc., etc., eu levo sempre
aquela provocação, como eu digo, venho meter o dedinho: juntos vamos mais longe, metam isto
na cabeça. Temos que fazer aqui como os nosso vizinhos de Espanha, associação significa um
mais um não são dois, vamos contrariar a matemática, vamos partilhar. Então eu acredito que a
verdadeira alma do negócio é a partilha, e faço isso no dia-a-dia e provo às pessoas que funciona.
Então, a minha cabeça diz: se eles se portarem – eles, Associação de Marketing Digital – à antiga,
que eu não acredito, porque estamos a falar de marketing digital, ok, vai ser mais um grupinho,
vão ser os mesmos, o carolas, que vão partilhar, fazer uma coisas muito gira e, com o tempo, a
coisa vai indo. Vai indo, não no bom sentido. Como eu, por outro lado, o meu coração diz: quem
não acompanha os tempos vai com o tempo, acho que está na altura – e vou fazer aqui muitas
figas – que esta associação seja aquela pedrada no charco, que se enquadre muito bem com o paradigma de partilha que estas coisas do marketing digital precisam. Por outro lado, o que é o marketing digital sem visibilidade? Então eu acho que, de repente, vejo que a associação pode ser
uma coisa muito gira, pode ser uma plataforma onde nos mostramos, onde partilhamos,
incentivamos, provocamos, e até fazemos negócios. Portanto, eu estou aqui com um coração e
uma cabeça que era bom que neste momento se juntassem com um propósito comum e dizer:
esta associação tem tudo para acontecer, no bom sentido. Portanto, o que eu quero desejar é
que… vamos ser um exemplo – que Portugal está a precisar – para mostrar que juntos vamos mais
longe.

Entrevista a João Catalão

O que é que nos recomendaria? Qual é que é, na sua opinião, o melhor caminho a seguir?

Como associação, a primeira coisa é que a associação seja aquilo que, realmente, os seus
membros – quem a integrar – desejam. Como associação tem logo um propósito comum e óbvio,
está nos estatutos todos, é uma associação, é algo para se partilhar. E, portanto, que haja um
espírito, logo desde início, em que tudo o que tem a ver com politiquices, com (entre aspas) “lutas
de poder”, com invejazinhas, mesquinhez e coisas desse género, se consiga dizer não. O
propósito muito claro e aquilo que eu gostava de vos aconselhar – e, claramente, contem comigo –
é que esta associação tenha um propósito muito claro que é fazer com que aquilo que eu estou a
ver em Portugal – muito bem feito – na área do marketing digital seja ainda melhor, que traga mais
gente para esta área do marketing digital, que ajude este Portugal, pequenino mas, que tem
mostrado – com muito talento – que esta crise fez uma coisa muito boa, a todos nós: ajudou-nos a
pensar diferente, acho que estamos todos melhores, acho que estamos todos mais resilientes,
acho que estamos todos muito mais inovadores, e todos muito mais ambiciosos de não voltar a
viver o mesmo filme. Portanto, eu acho que, à associação, os melhores conselhos que eu lhe dou
é: “sejamos um clube”, quer dizer, uma associação mas que na verdade é um clube, onde
partilhamos os mesmo propósito, e o propósito é queremos ganhar. E o ganhar, aqui, que seja
simbolizado por fazer muitas coisas, por partilharmos e nos divertirmos. Porque a vida é uma
coisa boa e eu acho que a associação tem que ser uma coisa boa.

O sorriso é uma das suas imagens de marca, acha que a Digital Marketers também vai
conquistar muitos “motivos para sorrir”?

Só pode. Só pode, porque o aborrecido não vende, o aborrecido não capta. Uma das coisas que o
marketing tradicional – e no marketing digital é muito mais evidente – é… tudo aquilo que nós neste
momento vemos em que as pessoas… está provado, que as pessoas gostam de histórias, gostam
de sentir histórias sobre as marcas, sobre os produtos, sobre as próprias empresas. Isso significa
que as pessoas também gostam do imaginário, as pessoas gostam do conectar, as pessoas
gostam de coisas que as façam sentir que estão no fio narrativo da sua vida ou de uma vida que
seja imaginária. Ora, como tristezas não pagam dívidas e as pessoas felizes concretizam
melhores negócios, e as pessoas felizes até gastam mais dinheiro e investem mais dinheiro, eu
acho que isto é uma forma de estar inteligente na vida. Portanto, o sorriso felizmente não paga
imposto, contagia pelo positivo e, ainda por cima, as rugas do sorriso são muito mais bonitas que
as rugas da maledicência, das chatices, etc. Portanto, eu sou claramente um fã do sorriso e acho
que o sorriso está dentro de todos nós e pode ser uma coisa muito importante para este Portugal
renovado que, eu espero, que esta época digital nos traga: que é a partilha. E eu vejo quando
ponho um post… eu gosto muito de pôr nos meus Facebooks, nos Twitters, coisas inspiracionais,
nos meus próprios livros, etc., e eu posso afiançar que eu tenho indicadores que me dizem que
vale a pena olhar para a vida com um olhar feliz, renovado, e com um sorriso, consistente, sincero
– sincero – e, acima de tudo, um sorriso que tem uma mensagem: amanhã tem que ser melhor do
que hoje.

“Impressão Digital”

O meu exemplo é paradigmático. É o meu testemunho e vou partilhá-lo.
O meu exemplo, e a aplicação do marketing digital na minha vida, eu trabalho em áreas muito
dispersas, a minha actividade principal é no coaching executivo, trabalho com gestores de topo
onde muitos me vieram parar às mãos, curiosamente, por iniciativas de marketing digital. Possovos
dizer que o LinkedIn o ano passado trouxe-me seis negócios fantásticos, e eu tenho uma
simples presença no LinkedIn, posso-vos dizer que através de vídeos que tenho no YouTube já
tive grandes clientes, já tive grandes clientes. Como já referi, tenho meio milhão de visitas num
site pessoal, o que é que as pessoas, que mais… um site pessoal que posso-vos dizer que me
custou muito pouco dinheiro, que o alimento não tanto como eu queria, mas que vou alimentando
com conteúdos muito simples, destinados a toda a gente, completamente genéricos, etc. Possovos
dizer que entupi o meu Facebook, tive que abrir outra página, simplesmente porque a única
coisa que faço é partilhar o positivo, aquilo que há na minha vida. Já lancei um livro só com
amigos de Facebook, vejam bem, e a sala estava cheia. E, portanto, meus amigos, a mensagem
que vos quero dizer é: marketing digital não é para se ir pensar, não é para se ir meditar, é para se
fazer, agarrar, aprender e, acima de tudo, dinamizar. Porque o marketing digital não é opção. O
marketing digital está aí, ao dispor de todos e, como eu costumo dizer: pensem grande, comecem
pequeno, mas vão em frente. E o meu testemunho é um testemunho da vida. Agarrei-o, com
unhas e dentes, com muito pouco investimento, dedico-lhe pouco tempo mas os resultados, para
já, têm suplantado todas as minhas mais elevadas expectativas. E como eu costumo dizer, na
vida, não apontem baixo porque não há nada mais frustrante do que apontar baixo e acertar,
apontem alto e corram atrás.